Dia 21 de janeiro marca a data de aniversário da primeira operação comercial do Concorde, um jato "supersônico" do século 20 e que revolucionou a aviação. Com sua primeira operação ocorrendo em 1976, chegamos então aos 50 anos do primeiro voo com passageiros do modelo em 2026. Nesta matéria vamos falar um pouco da história do Concorde na Air France e relembrar o que foi o jato para a aviação.
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Dia 21 de janeiro marca a data de aniversário da primeira operação comercial do Concorde, um jato “supersônico” do século 20 e que revolucionou a aviação. Com sua primeira operação ocorrendo em 1976, chegamos então aos 50 anos do primeiro voo com passageiros do modelo em 2026. Nesta matéria vamos falar um pouco da história do Concorde na Air France e relembrar o que foi o jato para a aviação.

Primeiro voo com o Concorde pela Air France
Na quarta-feira, 21 de janeiro de 1976, às 12h40, o Concorde da Air France, matrícula F-BVFA, realizou seu primeiro voo comercial rumo ao Rio de Janeiro, com escala em Dakar. Após apenas 7 horas e 26 minutos de voo, a Air France inaugurava sua era supersônica, que se estenderia por 27 anos, até 2003. Voando a cerca de 60 mil pés de altitude – o dobro da altitude de outras aeronaves de longo curso –, os passageiros podiam admirar a curvatura da Terra pelas janelas.
Com capacidade para 100 passageiros, o Concorde atingia velocidade de cruzeiro de Mach 2.02, ou aproximadamente 2.170 km/h. Sua silhueta elegante, única e imediatamente reconhecível apresentava 25,6 metros de envergadura, 62,2 metros de comprimento e 11,3 metros de altura.

O Concorde cruzava o Atlântico entre Londres ou Paris e Nova York em aproximadamente três horas e meia, reduzindo quase pela metade o tempo dos voos convencionais.
Para se ter uma noção, nem as aeronaves mais tecnológicas de hoje em dia operam voos de Nova York para Londres ou Paris neste tempo, com voos entre 6 a 8 horas. Ou seja, números impressionantes para a época e que hoje, 50 anos depois, não conseguimos repetir.
Serviço de bordo aprimorado nos voos da Air France
Verdadeira vitrine tecnológica e obra-prima da inovação, o Concorde é uma aeronave lendária que encarna a excelência aeronáutica da Air France. Esse capítulo decisivo da história da companhia deixou uma marca duradoura tanto no plano tecnológico quanto cultural. Símbolo da expertise franco-britânica, permanece até hoje como uma grande referência da identidade da Air France, um patrimônio precioso e uma fonte inesgotável de inspiração que continua a moldar a inovação e a experiência contemporânea do cliente
Desde seu voo inaugural em 1976, o Concorde se destacou por sua excelência. O serviço a bordo refletia a ambição do supersônico, com champanhe e delicadas iguarias frescas de trufas do Périgord assinadas pela Lenôtre. Cada detalhe a bordo contribuía para uma experiência de viagem luxuosa. A cabine estreita era um reflexo ultramoderno da era dourada da aviação de prestígio.

Inicialmente, a Air France trabalhou com o designer industrial francês Raymond Loewy, responsável para a primeira versão do supersônico, incluindo a decoração do lounge no aeroporto Paris–Charles de Gaulle, com mobiliário assinado por Le Corbusier, além do interior da cabine, com assentos coloridos, iluminação e louças de linhas puras e elegantes.
Em 1985 e, posteriormente, em 1988, Pierre Gautier-Delaye criou dois estilos de cabine: o primeiro com tons de vermelho, azul e bege; o segundo com uma paleta em amarelo e cinza. Em 1994, Andrée Putman conferiu ao Concorde um visual contemporâneo, atualizando seu interior para a era moderna. O Pássaro Branco consolidava-se ainda mais como o emblema do luxo nos céus.

A “deusa” do design apresentou um novo interior com capas de encosto de cabeça e um carpete de padrão geométrico em preto e branco. Ela também redesenhou a bandeja de refeições, inspirando-se em delicadas ondulações. O resultado foi um elegante serviço de porcelana branca com filete azul, composto por peças que iam do prato de entrada ao conjunto de café.
Os uniformes da tripulação a bordo do Concorde também receberam atenção especial. Em 1976, para celebrar essa nova era da aviação supersônica, o estilista Jean Patou, junto com seu diretor artístico Angelo Tarlazzi, criou um uniforme exclusivo para as comissárias do Concorde.
O modelo apresentava listras em azul-marinho e bege, criando um efeito óptico que remetia ao logotipo da companhia. Em 1985, para celebrar o décimo aniversário do Concorde, Nina Ricci desenhou um novo uniforme: vestidos de crepe em azul ardósia, azul-marinho ou cinza pérola, pensados para harmonizar com a nova decoração da cabine. Os modelos eram complementados por lenços usados no pescoço ou como cinto.
Design revolucionário e que ajudava na performance
O design do Concorde era tão revolucionário quanto sua performance. As asas em formato de delta, o nariz móvel — que se inclinava para melhorar a visibilidade durante pousos e decolagens — e os quatro motores Rolls-Royce/Snecma Olympus 593 com pós-combustão foram desenvolvidos especificamente para o voo supersônico.

A cabine, embora estreita, oferecia um serviço altamente exclusivo, com refeições refinadas e atendimento de alto padrão, atraindo empresários, celebridades e chefes de Estado. Por conta do pouco número de assentos, o voo era quase que “exclusivo”, com bilhetes mais caros, mas com um conforto e tempo de viagem superiores.
O Concorde tinha capacidade média para cerca de 100 passageiros. Na configuração mais comum utilizada por British Airways e Air France, a cabine acomodava entre 92 e 128 assentos, dependendo da configuração específica de cada aeronave e do período de operação.
Vida útil curta
Apesar do sucesso tecnológico, o Concorde enfrentou desafios econômicos e operacionais ao longo de sua vida útil. O alto consumo de combustível, os elevados custos de manutenção e as restrições ambientais, especialmente relacionadas ao estrondo sônico, limitaram sua operação a poucas rotas sobre oceanos.
Além disso, o aumento dos preços do petróleo na década de 1970 tornou o modelo financeiramente difícil de sustentar. No começo do século 21, um acidente em 25 de julho de 2000 basicamente “selou” o fim das operações com o modelo.
Apesar das modificações e do Concorde voltar a operar após o acidente, a British Airways e a Air France optaram por descontinuar as operações com o jato em 2003.
Coleção comemorativa dos 50 anos do Concorde
Para celebrar o 50º aniversário do voo inaugural do Concorde, a Air France lançou uma coleção comemorativa que homenageia esse ícone da aviação francesa e a visão pioneira que marcou toda uma era.
Inspirada nas linhas puras da aeronave e em sua performance supersônica, a identidade gráfica da coleção expressa movimento, velocidade e precisão. Ao unir herança e modernidade, essa identidade visual valoriza uma aeronave pioneira, símbolo de elegância, inovação e sonhos.
Modelos de aeronaves, lenços de seda, xales, cadernos e chaveiros estão entre os dez itens exclusivos, alguns deles em edição limitada, que serão colocados à venda progressivamente a partir de fevereiro de 2026 no site da Air France.

Documentário da Air France sobre o Concorde
Para celebrar o cinquentenário, a companhia também lançou um documentário especial que revisita a história dessa lenda da aviação francesa já disponível em seu canal no YouTube. Confira abaixo ou clique aqui:
Comentário
Sem dúvidas, o Concorde é um dos aviões mais famosos da aviação, responsável por revolucionar o setor como um todo: com viagens exclusivas e design único.
Conte para nós: você já teve o prazer de voar em um Concorde?