CADE suspende participação minoritária da United na Azul

Igor Tonetti

O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, suspendeu a aprovação da operação de concentração envolvendo a United Airlines Inc. e a Azul S.A., que previa a aquisição, pela companhia norte-americana, de uma participação minoritária na aérea brasileira.

O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, suspendeu a aprovação da operação de concentração envolvendo a United Airlines Inc. e a Azul S.A., que previa a aquisição, pela companhia norte-americana, de uma participação minoritária na aérea brasileira.

Azul United


Suspensão no acordo

A suspensão ocorreu após questionamento do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo), que solicitou ingresso no processo como terceiro interessado. Diante do pedido, o presidente do Cade decidiu interromper temporariamente os efeitos da decisão que havia autorizado a operação.

Em 30 de dezembro de 2025, a Superintendência-Geral (SG) do Cade aprovou a transação sem a imposição de restrições. O negócio prevê a compra, pela United Airlines, de aproximadamente US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul, elevando sua participação econômica de 2,02% para cerca de 8%. A operação integra o processo de reestruturação societária da Azul nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11 da legislação norte-americana, iniciado voluntariamente em maio de 2025.

Em despacho publicado em 8 de janeiro, Gustavo Lima esclareceu que a admissão de terceiros interessados em processos do Cade depende da demonstração de direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão. Com base nisso, foi concedido prazo improrrogável de 15 dias para que o IPS Consumo apresente documentos e pareceres que fundamentem suas alegações. O não cumprimento do prazo poderá resultar na rejeição sumária do pedido.

Na análise técnica, a Superintendência-Geral concluiu que a transação não gera riscos concorrenciais relevantes. Segundo o Cade, as atuações da United e da Azul são consideradas complementares, sem sobreposição significativa em voos diretos entre cidades. Em rotas nas quais uma das companhias detém maior participação, a outra possui presença reduzida.


Comentário

A SG também destacou que a operação não configura fusão nem aquisição de controle, uma vez que a United terá direitos políticos limitados na Azul, preservando a independência operacional entre as empresas. Com isso, o órgão técnico avaliou que a transação não permitirá o exercício unilateral de poder de mercado no transporte internacional de passageiros.

Após a análise do material apresentado, a presidência do Cade decidirá sobre a admissão do instituto como terceiro interessado e sobre o prosseguimento do recurso contra a aprovação da operação.


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